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Srta. R.
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♫ ♪ The Verve - The Verve - Sonnet
Eu quero a verdade que só me
é dada através do seu oposto, de sua
inverdade. E não aguento o cotidiano. Deve ser por isso que escrevo. Minha
vida é um único dia. E é assim que o passado me é
presente e futuro. Tudo numa só vertigem. E a
doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma. Viver é mágico e
inteiramente inexplicável. Eu compreendo melhor a morte. Ser cotidiano é
um vício. O que é que eu sou? sou um pensamento. Tenho em mim o sopro?
tenho? mas quem é esse que tem? quem é que fala por mim? tenho um corpo e
um espírito? eu sou um eu? "É exatamente isto, você é um eu",
responde-me o mundo terrivelmente. E fico horrorizado. Deus não deve ser
pensado jamais senão Ele foge ou eu fujo. Deus deve ser ignorado e
sentido. Então Ele age. Pergunto-me: por que Deus pede tanto que seja amado por
nós? resposta possível: porque assim nós amamos a nós mesmos e em nos
amando, nós nos perdoamos. E como precisamos de perdão. Porque a própria
vida já vem mesclada ao erro.
(Clarice Lispector, In: Um sopro
de vida)
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Foi por acaso que vi o vídeo da bailarina
Diana Vishneva parte III, gostei tanto que fui procurar as primeiras partes e
fiquei impressionada, admirada, encantada... isso é lindo demais. Ela brinca
com luzes e movimentos e dá a impressão de ser outra coisa e não seu corpo.
Incrível!!! Pra inspirar no fds! ;)
Diana Vishneva: Beauty in motion - F.L.O.W - parte III
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A
tristeza, o desamparo, o desespero ou o siricutico, é isso o que me faz
escrever.
Posso dizer que transformei
meus amores em homens, que juntos andamos pra frente, aprendemos a lidar com emoções, sentimentos e com a responsabilidade da vida. Tentei passar um pouco de mim, minha coragem, a vontade de mais, às vezes até a fúria que ainda tenho, mas ele não me pertencem, fiz isso pro mundo. Assim como
vivi intensamente cada uma de minhas relações, soltei-os ao léu com intensidade
para voarem para longe.
A
dor escreve, a alegria festeja. Sou ruim com palavras quando estou alegre.
Talvez porque não seja necessário falar nesses momentos. Na tristeza sim, é
preciso expurgar, livrar a alma e o coração dos sentimento ruins...
Comecei
o post de hoje há muito tempo atrás. Era apenas uma frase. Não saia do lugar.
Resolvi postá-lo pela data. É importante, já foi para mim, agora é para alguém.
Uma dessas pessoas com quem cresci, amadureci junto. E que se foi para o bem
dela, para o meu bem.
E
assim a vida segue seu curso com todas as suas curvas, seus altos e baixos, momentos
de intermitências e suas perenidades.
E pra você: Namastê!
Kalo mina!
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Desde que consegui definir o que me fazia sentir um dos perfumes
que uso, tenho usado quase sempre... Acho que ando precisando de alegrias!!!
Não estou 100%
desde que me mudei, sei que não devo reclamar e olhar para as coisas boas, mas
as vezes cansa ter que encontrar coisas boas em tudo!!!
O estranho é
que também não tenho rompantes sentimentais, arroubos de choro ou qualquer
coisa do gênero. Não, é pior. É uma monotonia enlouquecedora, é um sair sem
rumo pra ter que voltar...
Tá estranho viver assim...
![]() |
| bosque de bétulas |
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Srta. R.
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Há um ano, Amy Winehouse nos deixava. Fernanda Young, nossa musa, escreveu sobre a cantora para a Revista Trip em maio de 2008.
"Quem não tiver uma Amy Winehouse dentro de si que se apresente. Vai se apresentar para uma platéia vazia, obviamente, pois nessas ninguém está interessado. Mulheres que não admitem a sua dor – aquelas que são perfeitamente esquecíveis – não merecem nenhuma poesia, ou rascunho, ou rápida melodia, pois se recusam a abrir mão do conforto de uma farsa em nome de uma verdadeira vocação: a de sofrer belamente.
O Drummond escreveu que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”. Um verso bonito, além de sábio, porém tipicamente masculino. Mulheres não sofrem por opção, sofrem por evolução. Nós sofremos porque percebemos coisas que os homens ainda não são capazes. Talvez, um dia.
Não há, portanto, a mulher que não sofra – há a que não se mostra. Já que o sofrimento é, para nós, uma espécie de vestido lindo, antigo e bem adornado; um Paul Poiret. À nossa disposição, no cabide. Então usaremos essa roupa, não tenham a menor dúvida. E algumas de nós o farão em público, deslumbrantemente. Como é o caso da Amy.
Você olha para ela e vê que aquela é sua maior aptidão: existir sob esse manto raro, por vezes sombrio, que a cobre. Não há nada em Amy Winehouse que não seja genuíno, e isso consegue ser gritante em sua música suave enquanto doce em sua aparência rude.
Atraente e repugnante ao mesmo tempo. Linda e digna de pena. Ora, pode haver imagem mais explícita da crucial inconstância feminina? Óbvio que é disgusting vê-la toda borrada, sem um dente, com sapatilhas a lhe denunciar as picadas que dá nos pés. Mas também é maravilhoso vê-la tão pequena, antiga de tão moderna, na medida que só os autênticos conseguem ser, e se equilibrar. Mesmo que essa idéia, a de equilíbrio, não pareça muito adequada à Amy. Para mim, é.
Amy Winehouse é um acontecimento secular, tipo Billie Holliday, Edith Piaf. A gente não tem como exigir higiene, ou conduta, ou senso de preservação, ou auto-estima, dessas mulheres. Seria pedir demais."
"Como dizer para essa moça o que ela talvez devesse ouvir? “Ei, Amy, deixe esse cara pra lá, ele não vale tanto a pena.” “Ei, Amy, faz o seguinte: toma no máximo cinco cervejas quando for ao pub.” “Ei, Amy, fume seu baseado, mas deixe o resto de lado.” Imagina a cara que ela iria te olhar?
Pela Amy Winehouse, sinto essa contradição, acho, parecida com a de todas as mulheres. Eu me identifico com a delinqüente, e a mulherona que cobre o Blake de porrada, mas me preocupo, como uma mãe com uma filha, a ponto de rezar por ela todas as noites. Uma reza sincera, para que Deus a proteja, igual faço pelas minhas meninas.
Amy, olha só: você é tão jovem... E quando fico emocionada tenho essa mania, cafona e burra, de usar reticências... Mas não!... Para a Amy Winehouse, não cabem emocionalidades baratas. A triste junkie que habita em mim não suportaria parecer uma mãezona dócil que faz promessa.
Então, mais uma dose. Por que que a gente é assim?"
"Por que bad boys são “os fodões” e bad girls são “as fodidas”? Por que os bad boys são símbolo de liberdade e as bad girls são presas para servir de símbolo? Por que bad boys são assim por rebeldia e as bad girls são assim por sem-vergonhice?
Aparentemente, o mau comportamento ficou de fora das conquistas feministas. Então que seja esta nossa nova luta: pela igualdade de direito de errar. Direito de fazer o que não se deve. De chegar em paz ao fundo do poço.
Dean Martin, Frank Sinatra, Sammy Davis Jr. e aquele outro, que eu esqueço o nome, bebiam todas, consumiam tudo, comiam qualquer uma – e eram o charmosíssimo “rat pack”.
Britney Spears, Lindsay Lohan, Paris Hilton e aquela outra, que eu também esqueço o nome, bebem uns champanhes a mais, tomam uns analgésicos, dão umas batidinhas de carro – e são as vadias bêbadas e drogadas de Hollywood.
É, o machismo acabou só para as caretas. Para as doidas continua valendo. Acho, inclusive, que as próprias mulheres têm culpa nesse atraso. Notoriamente mais competitivas entre elas, não competem apenas com a colega do lado, mas com todas as mulheres do mundo.
De Marilyn Monroe a Anna Nicole Smith, todas morreram sem uma amiga do lado. Por quê? Porque mulheres não são companheiras na sarjeta. Homens são. Ou seja, encontramo-nos no ponto em que, juntos, chegamos".
Fernanda Young ainda dizia que torcia por ela mais do que pela seleção brasileira!!! Torcida compartilhada por muitos, porém torcida essa que acabou levando-a a morte por excesso de bebida após um período de abstinência. Sim, ela tentava deixar de lado o vício. Tentou inúmeras vezes.
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Hoje acordei assim...
... um sentimento bom, ou melhor, pressentimento!
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Srta. R.
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A previsão para o período que vai de hoje até dia 3, ou seja, todo o fim de semana não é dos mais animadores, e chegou adiantado... desde ontem...diz que a passagem do Sol pelo setor das crises pessoais pode significar um transbordamento de emoções e problemas que você tem tentado evitar nos últimos meses. A Lua em trânsito pela Casa 1 lhe chama à consciência de suas emoções, mas sugere também uma certa instabilidade emocional. A Lua neste momento pede que você não faça de conta que não existem coisas que lhe incomodam e que dê atenção a estes pontos. O Sol na 8 lhe ajuda a ver as coisas com maior clareza, e a ter a coragem de romper com hábitos, padrões, pensamentos ou pessoas que não lhe servem mais.
Reflexão para o período: do que eu preciso me libertar?
A resposta eu sei, mas é de muita coisa que preciso me libertar... muita coisa me incomoda, porém as soluções viáveis, não são as que me agradam!! Isso me coloca louca, embaralhada. Estou sem concentração, nervosa e nem quero falar sobre o assunto e estou tão cheia disso que acabo falando. #@§°*%#@ todomundo!!!
Bem vindo ao meu inferno astral que se estende durante o ano!!!!
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"Brincar é condição fundamental para ser sério".
Arquimedes
Sem conhecer essa frase, me peguei pensando
sobre brincar!!! E senti falta de brincar, como sinto muitas vezes quando me
vejo nesse devaneio da seriedade da vida, que talvez nem seja assim tão séria,
mas que eu e minha cara de poucos amigos acabamos transformando. Calma! Não é
bem assim também!!! Não sou sisuda, mau humorada nem nada disso, mas sou
muito séria, principalmente com estranhos... E me vem outro pensamento,
sobre a pessoa na qual me transformo em algumas situações, quase excessivamente
alegre e falante, inclusive com estranhos!!! Não me lembro de ter sido em algum
momento uma pessoa relaxada, leve e solta. Aproximação me assusta, me põe em
alerta. E assim senti falta da surpresa, do improvável, das risadas, das brincadeiras, das guerras de travesseiros...
Tudo é pra dizer que geralmente não me
permito relaxar, é difícil e contraditório (lá vem essa palavrinha de novo,
vive constantemente em mim). Preciso, tento, penso nisso mas me retraio até
doer... Pode ser a recusa de me mostrar, acho que ficamos vulneráveis ao toque
e tenho sérios problemas com isso!!! E ultimamente isso tudo está muito
presente na minha vida, em pensamentos e até na fala. Estou com torcicolo e
meus ombros mais travados que cela de prisão. O estranho é que geralmente não
quero e embora não pareça... eu gosto, mas não sou de pedir colo quase sempre
eu dou colo. Escrevendo agora tenho pensamentos que sugerem uma explicação
sobre tudo isso, mas não me prendo a isso.... e porque brincadeira se até agora
não falei em brincar? Uma coisa leva a outra: crianças brincam porque não
tem receio de nada, são alegres e não sofrem de torcicolo (só se for por se
contorcer demais!!!). O toque leva a brincadeira... pular alivia o estresse e
acaba com os músculos retesados, dançar dá calor ao coração, correr faz rir e gera mais energia e energia
nos impulsiona, energia renovada dentro de nós transforma até nossa visão do
mundo e para o mundo? bem, faz o mundo girar!!!!
Like You!!!
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Srta. R.
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"Quem rege seu signo é o Senhor do Tempo. Ele vai lhe mostrar que, com calma e paciência, tudo irá se resolver. Tempo de aquisição, conquista, crescimento e maturação".
Um momento de calma, tanto interna quanto externamente. Mesmo que as coisas não estejam correndo tão bem quanto gostaríamos, esse trânsito poderá ao menos trazer alguma tranquilidade e relaxamento. Por outro lado, a riqueza de sentimentos e emoções trazida por esse trânsito poderá levar-nos a preferir ficar sozinhos ou ter como companhia somente as pessoas queridas. Nesse caso, a quietude seria para nós grande bem. Essa preferência não viria de um desejo de fugir ao confronto com o mundo, mas da capacidade de apreciar as belezas da existência. Esse seria um momento de recuperação de energias, necessário de vez em quando. Se estivermos inclinados a isso, melhor será não negar a nós mesmos essa satisfação.
Conversas com amigos tem sido boas, as vezes esclarecedoras, bom falar dos sentimentos, marcado pela percepção e pela sensibilidade em relação aos sentimentos das pessoas.
A influência da Lua na quinta casa também favorece o relacionamento com as mulheres, que neste momento deverá levar a descobertas positivas sobre nós mesmos. Momento que estaremos aptos para ajudar as pessoas desde que seja de nossa iniciativa, se houver tentativa de serem possessivos ou limitarem nossa liberdade, nós iremos resistir.
Venho sentindo também uma forte inquietação espiritual, um estado de espírito de questionamentos sobre meus objetivos e aspirações. Andei pensando na vida, carreira, expectativas e escolhas com relação à vida e ao futuro e sempre vem uma pontinha de dúvida sobre acertos e erros nas escolhas. Diz a previsão que a oportunidade é excelente para aprendermos algo importante nesse sentido.
Momento de recolha! Será que é possível eu ter esse momento pra mim? Fica difícil quando sou cobrada pela ausência ou distanciamento, mas realmente preciso do meu tempo!!!
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Fui longe, muito longe. Como há tempos não acontecia. Tive que pousar, assim é a vida. Mas não fui de avião!
Viajei léguas, fui a uma altura inenarrável. A respiração ainda está lenta, calma, esse é o estranho dessas sensações, elas não agitam, não preocupam... apesar de uma atividade emocional intensa todo o resto do mundo parece que pára!...
Quero calar! Não quero pronunciar uma palavra! Não quero deixar se esvair o último fôlego suspenso. Não falar nos afasta um pouco do real, da obrigatoriedade do sentido, do plausível, da matéria... Quero essa propulsão de ventos e vácuos dentro de mim que me deixou à deriva, esse êxtase no qual é tudo tão etéreo que chega a não existir... e passa tão depressa, tão efêmero como que querendo me provar que realmente não é.
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Srta. R.
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Orientação dos gatos
À Juan Soriano
Quando Alana e Osíris me olham, não posso me queixar da menor dissimulação, da menor falsidade. Olham-me de frente, Alana sua luz e Osíris seu raio verde. Também entre eles se olham assim, Alana acariciando o negro lombo de Osíris que levanta o focinho do prato de leite e mia satisfeito, mulher e gato conhecendo-se em planos que me escapam, que os meus carinhos não conseguem superar. Faz tempo que renunciei a toda autoridade sobre Osíris, somos bons amigos a uma distância intransponível; mas Alana é minha mulher e a distância entre nós é outra, algo que ela parece não sentir, mas que se interpõe em minha felicidade quando Alana me olha, quando me olha de frente como Osíris e me sorri ou me fala sem a menor reserva, dando-se em cada gesto e cada coisa como se dá no amor, ali onde seu corpo é como seus olhos, uma entrega absoluta, uma reciprocidade ininterrompida.
É estranho, embora tenha renunciado a entrar completamente no mundo de Osíris, meu amor por Alana não aceita essa simplicidade de coisa concluída, de casal para sempre, de vida sem segredos. Atrás desses olhos azuis há mais; no fundo das palavras e dos gemidos e dos silêncios, anima-se outro reino, respira outra Alana. Nunca disse isso a ela, quero-a demais para trincar essa superfície de felicidade pela qual já deslizaram tantos dias, tantos anos. A meu modo, teimo em compreender, em descobrir; observo-a sem espiá-la; sigo-a sem desconfiar; amo uma maravilhosa estátua mutilada, um texto inacabado, um fragmento de céu inscrito na janela da vida.
Houve um tempo em que a música me pareceu o caminho que me levaria de fato a Alana; vendo-a ouvir os nossos discos de Bartok, Duke Ellington, Gal Costa, uma transparência paulatina me afundava nela, a música a despia de uma maneira diferente, tornava-a cada vez mais Alana porque Alana não podia ser somente essa mulher que sempre tinha me olhado de frente sem me esconder nada. Contra Alana, mais além de Alana, eu a buscava para amá-la melhor; e se no começo a música me deixou entrever outras Alanas, chegou o dia em que, diante de uma gravura de Rembrandt, a vi mudar ainda mais, como se um jogo de nuvens no céu alterasse bruscamente as luzes e as sombras de uma paisagem. Senti que a pintura a levava para além de si mesma a esse único espectador que podia medir a instantânea metamorfose nunca repetida, a entrevisão de Alana em Alana. Intermediários involuntários, Keith Jarret, Beethoven e Anibal Troilo me haviam ajudado na aproximação, mas frente a um quadro ou a uma gravura Alana se despojava ainda mais disso que acreditava ser, por um momento entrava em um mundo imaginário para sem saber sair de si mesma, indo de uma pintura a outra, comentando-as ou se calando, jogo de cartas que cada nova contemplação embaralhava para aquele que, silencioso e atento, um pouco atrás ou levando-a pelo braço, via sucederem-se as rainhas e os ases, os ouros e os paus, Alana.
O que se podia fazer com Osíris? Dar-lhe leite, deixá-lo em seu negro novelo confortável e ronronante; mas eu podia trazer Alana a esta galeria como o fiz ontem, mais uma vez, para assistir a um teatro de espelho e câmaras escuras, de imagens tensas na tela frente a essa outra imagem de alegres jeans e blusa vermelha que depois de esmagar o cigarro â entrada ia de quadro em quadro, detendo-se exatamente â distância que seu olhar requeria, voltando-se para mim de quando em quando para comentar ou comparar. Jamais teria podido descobrir que eu não estava ali pelos quadros, que um pouco atrás ou de lado minha maneira de olhar nada tinha a ver com a dela. Jamais perceberia que sua lenta e reflexiva passagem de quadro em quadro a transformava até me obrigar a fechar os olhos e lutar para não apertá-la nos braços e levá-la ao delírio, a uma loucura de correr em plena rua. Desenvolta, leve em sua naturalidade de prazer e descoberta, suas paradas e demoras inscreviam-se em um tempo diferente do meu, estranho à tensa espera de minha sede.
Até então tudo tinha sido um vago aviso, Alana na música, Alana diante de Rembrandt. Mas agora minha esperança começava a se cumprir quase insuportavelmente, desde a nossa chegada Alana entregara-se às pinturas com uma cruel inocência de camaleão, passando de um estado a outro sem saber que um espectador escondido observava em sua atitude, na inclinação de sua cabeça, no movimento de suas mãos ou seus lábios, o cromatismo interior que a percorria até mostrá-la outra, ali onde a outra era sempre Alana somando-se a Alana, as cartas juntando-se até completar o baralho. A seu lado, avançando pouco a pouco ao longo das paredes da galeria, eu a via entregar-se a cada pintura, meus olhos multiplicavam um triângulo fulminante que se estendia dela ao quadro e do quadro a mim mesmo para voltar a ela e apreender a transformação, a auréola diferente que a envolvia um momento para depois ceder a uma nova aura, a uma tonalidade que a expunha à verdadeira, à última nudez. Impossível prever até onde se repetiria essa osmose, quantas novas Alanas me levariam por fim à síntese da qual sairíamos os dois saciados, ela sem sabê-lo e acendendo um novo cigarro antes de me pedir que a levasse a tomar um trago, eu sabendo que a minha longa busca chegara ao fim e que o meu amor abarcaria, a partir de agora, o visível e o invisível, aceitaria o límpido olhar de Alana sem incertezas de portas fechadas, de passagens vedadas.
Frente a um barco solitário e um primeiro plano de rochas negras, eu a vi permanecer imóvel longo tempo; um imperceptível ondular das mãos fazia-a como que nadar no espaço, buscar o mar aberto, uma fuga de horizontes. Eu não podia mais estranhar que essa outra pintura, onde uma cerca de agudas pontas vedava o acesso às árvores vizinhas, a fizesse retroceder como que buscando um ponto de mira, de repente era a repulsa, a recusa de um limite inaceitável. Pássaros, monstros marinhos, janelas dando-se ao silêncio ou deixando entrar um simulacro da morte, cada nova pintura arrasava Alana despojando-a de sua cor anterior, dela arrancando as modulações da liberdade, do vôo, dos grandes espaços, afirmando sua negativa diante da noite e do nada, sua ansiedade solar, seu quase terrível impulso de ave fênix. Permaneci atrás sabendo que não me seria possível suportar o seu olhar, a sua surpresa interrogativa quando visse em minha cara o deslumbramento' da confirmação, por que isso era também eu, isso era o meu projeto Alana, a minha vida Alana, isso tinha sido desejado por mim e refreado por um presente de cidade e moderação, isso agora afinal Alana, afinal Alana e eu desde agora, desde agora mesmo. Teria querido tê-la nua nos braços, amá-la de tal maneira que tudo ficasse claro, tudo ficasse dito para sempre entre nós, e que dessa interminável noite de amor, nós que já conhecíamos tantas, nascesse a primeira alvorada da vida.
Chegávamos ao final da galeria, aproximei-me da porta de saída ainda ocultando o rosto, esperando que o ar e as luzes da rua me fizessem voltar ao que Alana conhecia de mim. Eu a vi deter-se diante de um quadro que outros visitantes me haviam ocultado, ficar longamente imóvel olhando a pintura de uma janela e um gato. Uma última transformação fez dela uma lenta estátua nitidamente separada dos demais, de mim que me aproximava indeciso, procurando-lhe os olhos perdidos na tela. Vi que o gato era idêntico a Osíris e que olhava ao longe algo que a parede da janela não nos deixava ver. Imóvel em sua contemplação, parecia menos imóvel que a imobilidade de Alana. De algum modo senti que o triângulo se rompera, quando Alana virou para mim a cabeça o triângulo não mais existia, ela tinha ido até o quadro, mas não estava de volta, continuava do lado do gato olhando além da janela onde ninguém podia ver o que eles viam, o que somente Alana e Osíris viam cada vez que me olhavam de frente.
Júlio Cortázar
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Srta. R.
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Tentando encontrar mais uma forma de motivação para praticar exercícios físicos, optei por pesquisar as artes marciais. Com esse intuito, li alguma coisa, descartei algumas outras, mas acabei encontrando uma reportagem interessante sobre o aikidô e sua filosofia. Estou tão empenhada na missão que essa semana fiz aula experimental de boxe chinês!!! Ainda estou dolorida!!! Mas a aula é uma delícia, boa para exorcizar todos os demônios, aliviar todo o estresse, suar muito e claro! com isso perder muitas calorias!!!
Por enquanto continuo com a busca, e deixo aqui as técnicas de Ki, são dez lições para controlar as emoções e dar o melhor de si!
Baseado no ki, a energia interna que nos move, o aikidô mostra os recursos para sair da adversidade.
Técnicas de Ki
1. Treinar para receber. Aceite as coisas como e quando elas acontecem e não questione o porquê.
2. Treinar para cair. Não há caminho sem tropeço. Todo mundo cai, você também vai cair. Para não se machucar, preserve a cabeça. Olhe para o seu umbigo, de onde veio, e mantenha-se fiel à sua origem.
3. Não há situação absoluta O que considera o máximo não é o máximo. Ao impor sua forma de ver, exclui possibilidades e respostas mais criativas.
4. Não há situação definitiva Tudo acaba ou se transforma, como o ciclo: nascer, crescer e morrer.
5. Para cada problema, há quatro saídas O corpo faz, no mínimo, movimentos para a direita, a esquerda, para cima e para baixo. Num impasse, também há quatro alternativas: o tempo para começar a reagir, o ponto de partida, a intensidade da ação ou o reconhecimento de que não há nada a fazer. A escolha de uma delas abre novas possibilidades.
6. Convide o outro a se mover. É o princípio da gentileza. Comece com "por favor," sem se impor. Se optar pela autoridade, terá vassalos, não parceiros.
7. A circunstância define a técnica. O que serve numa circunstância não vale para outra. Olhe à sua volta e adapte-se. O fato define a forma de reagir.
8. O movimento é feito a partir de você. Não transfira as responsabilidades. Inicie o movimento e inspire o outro. Mude para ele fazer o mesmo.
9. O ponto de atrito é o menor ponto do contato. A divergência não é vital. Trate dos pontos que unem você e o outro e não dos que os separam. Se ficar presa ao que vai mal, permanecerá na briga.
10. Não existe vitória. Você apenas realizou o seu projeto do momento. Para ganhar, alguém tem de perder, e não será bom se relacionar com o derrotado.
Veja entrevista de Olga Curado para a revista Cláudia na íntegra. (04/2011)
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Srta. R.
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É preciso coragem para retomar a própria vida.
Para reaprender a estar consigo mesmo.
Para se permitir começar tudo de novo, quando o novo vier.
Para não se fechar o coração à perspectiva de que aconteça
essa que é uma das melhores dádivas: amar e ser amado,
olhar e ser olhado, ao mesmo tempo.
_____Ana Jácomo
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e nobreza...
O texto abaixo é erroneamente atribuído a Audrey Hepburn, porém é na verdade um poema do qual ela gostava muito, escrito por Sam Levenson, escritor e jornalista. Ela leu este poema para seus filhos, no seu último Natal antes de falecer.
O texto abaixo é erroneamente atribuído a Audrey Hepburn, porém é na verdade um poema do qual ela gostava muito, escrito por Sam Levenson, escritor e jornalista. Ela leu este poema para seus filhos, no seu último Natal antes de falecer.
"Para ter lábios atraentes, diga palavras doces.Para ter olhos belos, procure ver o lado bom das pessoas. Para ter um corpo esguio, divida sua comida com os famintos.
Para ter cabelos bonitos, deixe uma criança passar seus dedos por eles pelo menos uma vez por dia.
Para ter boa postura, caminhe com a certeza de que nunca andará sozinho.
Pessoas, muito mais que coisas, devem ser restauradas, revividas, resgatadas e redimidas; jamais jogue alguém fora. Lembre-se que, se alguma vez precisar de uma mão amiga, você a encontrará no final do seu braço. Ao ficarmos mais velhos, descobrimos porque temos duas mãos: uma é para ajudar a nós mesmos, a outra é para ajudar o próximo. A beleza de uma mulher não está nas roupas que ela carrega, ou na forma como penteia o cabelo. A beleza de uma mulher deve ser vista nos seus olhos, porque esta é a porta para seu coração, o lugar onde o amor reside.
A beleza de uma mulher não está na expressão facial, mas a verdadeira beleza de uma mulher está refletida em sua alma. Está no carinho que ela amorosamente dá, na paixão que ela demonstra. A beleza de uma mulher cresce com o passar dos anos."
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Srta. R.
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Certa vez declamei para alguém O teu riso. Foi para alguém de belo sorriso, singelo, verdadeiro e tímido. Não gostava de sorrir, o que era um verdadeiro desperdício de "não sorrisos". Poderia contemplá-los por horas se o distribuísse para mim ou para qualquer outra pessoa, o que era de uma contradição inexplicável devido ao fato das histórias, frases ou tiradas que inventava que sempre fazia explodir em risos quem estivesse ouvindo. (Não posso me queixar de não vê-lo sorrir, tive o privilégio de ganhar alguns e até mesmo de eternizar outros.) Engraçado, muito engraçado, mas guardava uma tristeza que nem nas confissões, ou desabafos, feitos para mim consegui decifrar. Por mais que pensasse em possíveis razões, causas ou conflitos a aflingi-lo, jamais cheguei a deduzir quais seriam tais fontes de tormento, a não ser talvez por sua anciedade, sua impaciência disfarçada, sua volúpia em querer mais. E isso tudo me retorna neste momento enquanto leio, falo e penso sobre o riso. Sobre o riso verdadeiro, a satisfação do riso. Ando meio que rindo à toa! ;) O que me faz perceber que realmente - frase que li, não sei onde e não sei quando - " de tudo o que possuis, o teu riso é o que mais te valoriza"! Que pessoa não fica mais feliz quando ganha um sorriso, ou que dia não fica mais bonito? Qual mau humor não vai embora, ou que preocupação não se dilui ao menos por uns instantes? Se passo alguns dias sem ver um sorriso fico entristecida, me entristeço também por notar que ando rindo pouco, aliás, pouquíssimo, porém sempre elogio quando vejo um, quem sabe com um incentivo as pessoas riam mais, inclusive euzinha que às vezes fico meio sisuda, mas apesar disso amo sorrisos, amo dar risada, amo gargalhar até doer a barriga, não tem prazer mais fácil, amigável e barato de se conquistar porqueo sorriso só depende de cada um, não é preciso esperar pelo outro para sorrir. Sorrio sozinha na rua às vezes, penso que devo parecer meio louca, ou totalmete, vai saber! uma pessoa de humor instável, mas deve ser assim mesmo. Afinal hoje é sexta-feira, dia de começar a rir de bobeira, de graça e sem compromisso. Ultimamente tenho passado algum tempo do meu dia a pensar e coisas assim me veem a mente e só. Mas nunca me tires o riso, qualquer riso, o meu riso, porque então morreria!
O teu riso
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.
Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.
A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.
Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.
À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.
Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.
Pablo Neruda











